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ARTIGOS - AdolescÍncia

Adolescência

Vanessa Müller[1]

 

 

               De acordo com Aberastury (1986), o essencial da adolescência é a necessidade de entrar no mundo do adulto.

          A ansiedade provocada pelas mudanças corporais, de acordo com o mesmo autor, leva o adolescente a entrar em contato com seu mundo interno, fugindo desta forma, do mundo exterior. A crise provocada pelas mudanças da adolescência será determinada pelas características do mundo interior.

Sendo assim, o choque e a distância entre o mundo interno e realidade exterior determinarão a duração e a qualidade de sua crise emocional.

Nesta fase de adolescência, está presente o desejo de se tornar adulto em sua totalidade, porém a presença dos sentimentos de rivalidade e invalidez em relação a este adulto, classificarão quais características o adolescente terá como modelo.

De acordo com, Osório (1992), adolescência é uma etapa evolutiva peculiar ao ser humano. Nela culmina todo o processo maturativo biopsicossocial do indivíduo. Por isto, não podemos compreender a adolescência estudando separadamente os aspectos biológicos, psicológicos, sociais ou culturais. Eles são indissociáveis.

A adolescência deixou de ser considerada uma mera passagem da infância para a idade adulta, com mudanças físicas, aparecimento das características sexuais e mudanças de temperamento, e passou a ser considerada como momento crucial do desenvolvimento do indivíduo, marcando a aquisição da imagem corporal e a estruturação da personalidade.

          O início da adolescência não pode ser determinado, pois varia de acordo com o ambiente sócio-cultural do indivíduo. Porém, está relacionado com a puberdade, quando ocorrem as modificações biológicas juntamente com as mudanças psicossociais, ocorrendo em média, dos 12 aos 15 anos.

Segundo Osório (1992), esta fase é caracterizada pelos seguintes fatores:

 

1. Redefinição da imagem corporal, consubstancial na perda do corpo infantil e da conseqüente aquisição do corpo adulto (em particular, dos caracteres sexuais secundários);

2. Culminação do processo de separação/individualização e substituição do vinculo de dependência simbiótica com os pais da infância por relações objetais de autonomia plena;

3. Elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil;

4. Estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio;

5. Busca de pautas de identificação no grupo de iguais;

6. Estabelecimento de um padrão de luta/fuga no relacionamento com a geração precedente;

7. Aceitação tácita dos ritos de iniciação como condição de ingresso ao status adulto;

8. Assunção de funções ou papéis sexuais auto-outorgados, ou seja, consoante inclinações pessoais independentemente das expectativas familiares e eventualmente (homossexuais) até mesmo das imposições biológicas do gênero a que pertence. (p.12).

 

          E ainda, imagem corporal é uma representação condensada das experiências passadas e presentes, reais ou fantasiadas, do corpo do indivíduo. Ela involucra aspectos conscientes e inconscientes.

A estrutura da imagem corporal é determinada por:

·         Percepção subjetiva da aparência e habilidade à função;

·         Fatores psicológicos internalizados;

·         Fatores sociológicos.

 

À medida que o corpo vai se transformando e adquirindo os contornos definitivos do adulto, o adolescente vai gradualmente plasmando a imagem corporal definitiva de seu sexo. Como na sua mente há uma espécie de protótipo idealizado dessa imagem corporal, ocorre um conflito entre a imagem fantasiada desse modelo idealizado e a imagem real do seu corpo em transformação. Essa é a raiz das ansiedades do adolescente com respeito a seus atributos físicos e a desejada capacidade de atrair o sexo oposto.

Ainda, de acordo com Herbert (1987), na adolescência, a interação pais/filhos é um fator muito importante, pois é nesta relação que o adolescente vai tentar encontrar seu lugar no mundo e buscar sua liberdade psicológica, buscando também:

A liberdade de ser uma pessoa por si mesmo, ter os próprios pensamentos e sentimentos, determinar os próprios valores e planejar o próprio futuro no nível existencial mais amplo.

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas:

 

ABERASTURY, A. e col. O mundo do adolescente. In: Adolescência. Trad. Ruth Cabral. 4. ed. Porto Alegre. Artes Médicas. 1986.

 

HERBERT, M. A natureza da adolescência. In: Convivendo com adolescentes. Rio de Janeiro. Beltrand Brasil. 1987.

 

OSÓRIO, L.C. O que é adolescência, afinal? In: Adolescente Hoje. 2a. Ed. Porto Alegre. Artes Médicas. 1992.

 



[1] Psicóloga Clínica da Abordagem Psicodinâmica / CRP: 06/65914

 




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